Resenha - Meio Sol Amarelo


Olá, pessoal!

Hoje, quero falar para vocês sobre um livro que me marcou muito, de uma autora que aprendi a amar.

Chimamanda Ngozi Adichie nos presenteia com Meio Sol Amarelo.
Um livro que fala do quanto o ser humano pode ser horrendo quando deseja realmente, mas também do quanto o próprio homem tem potencial para o bem.

A Guerra da Biafra iniciou-se em 1967 e teve seu término em 1970.
O termo “meio sol amarelo” refere-se à bandeira de Biafra, que tem metade de um sol em seu centro.







A Guerra de Biafra (ou Guerra Civil da Nigéria), lá no fim dos anos 60, rolou basicamente por causa de tensões étnicas, políticas e econômicas dentro da Nigéria depois da independência do país.

Um resuminho direto:

• A Nigéria era (e ainda é) formada por vários grupos étnicos grandes. No período, os 3 principais eram:
– Hausa-Fulani no norte
– Iorubá no oeste
– Igbo no leste

• Depois da independência do Reino Unido, o governo passou a ser dominado mais pelos grupos do norte e oeste, deixando os Igbo com a sensação de injustiça e marginalização política.

• A coisa piorou com golpes militares, assassinatos de líderes Igbo e violência contra a população Igbo no norte.

• Nesse clima, em 1967, o leste (onde viviam principalmente os Igbo) decidiu se separar e criar um novo país chamado República de Biafra.

• O governo nigeriano não aceitou a separação e a guerra começou.

O lado mais triste:
A Nigéria fez um bloqueio na região de Biafra, e isso causou fome em massa. Aquelas imagens famosas de crianças extremamente desnutridas no mundo todo… vieram desse conflito. A guerra terminou em 1970, com Biafra sendo forçada a retornar à Nigéria.

Então, em resumo:
Foi uma luta pela sobrevivência e pela autonomia dos Igbo, mas também um conflito político por poder e recursos — especialmente petróleo — que estavam em Biafra.


O livro tem quatro pontos de vista diferentes:

Ugwu — Um empregado da casa de Olanna e Odenigbo.
É levado pela avó para ajudar o professor universitário, que o ajuda e o alfabetiza.

Odenigbo — Um professor de universidade inteligente e apaixonado por história e por Olanna.
Em meio aos horrores da Guerra de Biafra, aprende que o que temos no coração é mais valioso que qualquer recompensa que podemos ter.

Kainene — Irmã de Olanna. Moderna e arrojada, ela até parece estar mais à frente do próprio tempo do que a irmã.
Tem personalidade forte, mas um coração brilhante.

Richard — O único homem branco do quarteto e estrangeiro em Biafra.
É o namorado de Kainene.

Olanna — A irmã de Kainene. É a queridinha do grupo, todos se encantam por ela, até nós, leitores.
Seu espírito pacificador e doce sempre transparece quando ela fala, mas não se enganem: aqui não há pessoas perfeitas, e mesmo ela erra — e erra muito gravemente.

Richard é o grande escritor e pesquisador na terra de Biafra. Ele é fascinado pelas coisas nigerianas, escreve um livro durante o seu processo de pesquisa e se apaixona por Kainene.

Ugwu, por sua vez, é como se fosse uma folha em branco, pronto para aprender as coisas do mundo. Ele vê e procura absorver o máximo que pode. Com o exemplo de Odenigbo e Olanna e, em meio à guerra, ele terá marcas que jamais poderão ser ignoradas.

Odenigbo, por ser um professor cheio de compromissos, às vezes esquece o verdadeiro significado de amor e família.
Mas a guerra não perdoa ninguém, e ele vai entender isso, mesmo em meio a feridas.

Chimamanda Ngozi Adichie nos leva até os anos sessenta para entender muito além do que os livros de história podem nos mostrar:
o lado dos feridos, daqueles que ficaram para reconstruir seu lar, aqueles que tentaram seguir sonhando, mesmo que a vida mostrasse sua face dura.
Este é um romance que mostra a perspectiva de vários personagens, suas paixões, lutas, pensamentos e dores.

Infelizmente, nós, leitores, não temos muito conhecimento do que foi esta guerra. Eu pelo menos não tinha nenhum até a leitura deste amado livro.
Tudo o que sei como leitor é que me importo com os personagens aqui apresentados.
Me apaixonei por Olanna e sua bondade em fazer as coisas; por Ugwu e sua ingenuidade em descobrir o mundo;
por Kainene e sua inexperiência ao sair de uma família de classe média e tentar se virar em meio à guerra como sua irmã;
e por Richard, o inglês que dá sua cara a tapa, enfrenta a guerra e ama a Nigéria como seu segundo lar.

Esta obra é vencedora do prêmio Orange Prize, e, se Chimamanda queria que eu guardasse e entendesse esses personagens, ela conseguiu.
Pessoas de sua própria família enfrentaram a guerra de Biafra — guerra esta que é muito pouco (ou nem sequer) citada nos livros de estudos.

Este foi um dos livros que mais me amadureceram como leitor, e espero que tenha conseguido transmitir esse amor e carinho a vocês.

Viva Biafra, viva Chimamanda, viva Nigéria!

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